Mesmo alguém com um grau de paranoia elevado, como eu, sabe aproveitar e amar tempos de calmaria.
Lembro-me perfeitamente das palavras de Cazuza: "o amor é o ridículo da vida. A gente procura nele uma pureza impossível."
Verdade.
Amor é vida.
E deixe todos seus traumas, receios e perversões de lado para me entender: vida é amor.
O amor é a base. Todo mundo precisar amar. Amar a família, amar o namorado, amar os amigos, amar o trabalho, amar o dinheiro. Amar. Mas se é preciso saber viver, é preciso também saber amar.
Cuidar, ensinar, aprender. Passar noite em claro, comemorar vitória que não seja sua, estremecer de preocupação, irritar-se com a teimosia alheia. O amor está em tudo. Bem a nossa volta.
E quando estamos completamente apaixonados por nós mesmo, podemos propagar isso ao mundo.
Eu amo.
Tenho esse apreço injustificável pelo drama, pelo tormento, por dar um nó na minha mente. Repito os mesmos erros nos meus relacionamentos, sempre sinto falta das mesmas coisas. E, por Deus, como sou exagerada!
Mas aí, de repente, entendo o vento como sopro, como força para ir além, um pouco mais. E resolvo repousar. Admirar o que há de lindo e o que há de ser. E acalmo o meu coração.
Sem bens, sem nomes diretos, sem convite de chá de bebê, camiseta estampada ou aliança no dedo. Amor é tudo isso. Amor é o tempo todo.
Amor é amor, e é bonito, quando a gente deixa ser.
Permita-se, na ausência de outras opções, apenas amar a vida. E você.
(A Maiara, cheia de impropérios, borros de maquiagem e cicatrizes no coração, cansou de pedir e hoje só queria agradecer - pelo coração quase saltando do peito quando New Found Glory a acorda todo dia pela manhã, pela calça um número menor que coube e combinou com o sapato novo, pelos 10 pãezinhos de queijo na estação que servem de reforço para conseguir subir o escadão sem se abalar com a dor no joelho e no calcanhar, pelo bom dia com cheiro de café dos colegas de trabalho, pelo almoço com prato repleto de salada que ela sentia falta, por conseguir resolver uma crise para um cliente, pelas conversas cheias de risada à caminho da faculdade, pelos abraços que nem precisam ser solicitados, pelas aulas que lhe acrescentam e ensinam de verdade e por ir dormir todo dia sem reclamar da respiração. Por toda a paz que chegou, que pode ficar quanto tempo quiser, possivelmente trazida por expectativas comprimidas, ausência de ilusões, gestos fofos, sinceridade nas atitudes e cafuné no abraço de conchinha de cada final de semana.)