quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Comigo nunca.

Sabe aquele momento que você retribui empolgadamente o aceno de alguém e descobre que não era pra você? aí você tem que disfarçar, dá uma espreguiçada e finge que nem era aquilo, como se seu gesto tivesse sido apenas um mal jeito no pescoço?
Minha vida amorosa é assim.


Cumprimento várias pessoas, todos os dias. Às vezes, me dá a impressão que conheço de algum lugar o carinha que me olha do outro lado do vagão do metrô. Se ele sorrir, eu retribuo, porque ele deve me reconhecer também. Mas não... Ele só queria me avisar que a bolsa estava aberta...
Eis um ótimo exemplo para entender o tipo de relações que estabeleci ao longo da minha vida.

Nunca tive alguém (que não fosse apenas amigo) para ligar quando eu me estressei com meu chefe. Nunca tive alguém para passar o dia junto, intercalando banhos de banheira e filmes de suspense. Nunca abracei alguém e senti o coração dele querendo pular pra fora do peito como o meu.

Admito que talvez a culpa seja minha.

Nunca me permiti acreditar em palavras fáceis e sentimento de estação.

Mas talvez eu apenas não saiba curtir. Me deixar levar sem pensar no depois. (Eu sempre penso. Demais.)

Parece que tem coisa que só não acontece comigo.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Agora não.

O fim já tinha chegado. Chegou e passou. Você sabia. Vocês não se falavam já tinha algum tempo. Nem pela internet. Você ficou sabendo que ele recebeu uma promoção no trabalho pelos amigos em comum. Viu no facebook que ele tinha cortado o cabelo. Mas você não ligou para dar parabéns nem comentou a foto. Ele não faz mais parte dos seus dias. Não faz mais parte de você. Você mesma tem frequentado mais open bares do que seu fígado pode aguentar. Fez novos amigos. Passou uma temporada no hospital e nem se preocupou em avisar ninguém. Estava cogitando aceitar o cinema com aquele cara da academia que sempre deu em cima de você. A vida estava seguindo normalmente e feliz.

Por que isso agora, então?
Isso não faz muito sentido!


Não, não faz.
E aí ele não te quer mais? Você também não quer mais ele. Certo?

Mas eu sei, incomoda. Ela faz bem mais o tipo dele. Ela dirige, fala inglês e tem a mesma idade. Ela até parece ser bonitinha. Mas pera lá, ela comete erros de português e divulga correntes na internet. Não tem nem metade do senso de humor que você orgulhosamente possui. Não sabe nem se divertir.

O que ele viu nela?

Bem, isso vai doer, mas sabemos o que ele não viu: você.
Desculpa, mas é a verdade e alguém tinha que lhe falar.

Ele não viu suas mechas descoladas, nem seu estilo inconfundível, nem seu sorriso incrível. Mas foi mais do que isso. Ele não viu ela resmungando para ele não pagar a conta, pedindo por mais atenção ou reclamando do modo que ele dirige. Ele não viu ela de óculos e short curto pedindo pra ele relaxar. Ele não quer mais você.
E você também não o quer. Ela que vai ter que lidar com o machismo e desconsideração dele, não é? Você se safou!

Por que diabos então você não está comemorando? Dói, né? Eu sei. Mas foi melhor assim. Você sabe. Você tentou. Vocês tentaram.
Dizem que os opostos se atraem, mas pode reparar: ninguém disse que eles dariam certo.

Às vezes, precisamos colocar um ponto final onde as vírgulas já não fazem mais diferença.

domingo, 30 de outubro de 2011

TO WRITE LOVE ON HER ARMS

Não chorou, não fez cena, apenas digitava no celular sua senha e instruções do que deveriam fazer com as coisas que lhe eram importantes.
Não cortou os pulsos, não foi encontrada no chão do banheiro, não pulou do alto do prédio.

Apenas chegou em casa, mais uma vez. Estava sozinha, mais uma vez. Como sempre. Injustiçada, como sempre.

"Já que todos estão contra você, não acha que deveria aceitar que está errada?"

Concordo. Estou, e olha, não foi por falta de tentativa de melhorar. Sempre quis ser boa, ser pura, ser exemplar. E sempre decepcionei a todos.

Cansei. Definitivamente. De uma vez por todas.

A cada comprimido vinha uma lembrança, que só me fazia ter certeza que aquilo era, sim, a melhor atitude. Comi um ultimo pedaço de pizza. Fui deitar.

Vomitei. Muito e muito forte. Minha mãe acabou ouvindo e trouxe um balde. Péssima idéia. Não saberia dizer em que momento, no meio da minha náusea, minha mãe encontrou as cartelas de comprimidos vazias. Três caixas e meia. Ela falava comigo, variando entre raiva, decepção e mágoa misturados no desespero. Quando eu conseguia, falava que já ia passar. Era a esperança. Dessa vez, ia.

Serviço público como SAMU não faz questão nenhuma de correr quando sabe que foi tentativa de suicídio. Acho que eles estão certos. Queria que minha mãe entendesse e me deixasse e largasse o telefone. Fiquei pior e usei toda e qualquer fora que me restava para chegar pro banheiro. A visão estava embaçada e a respiração falhava. O policial chega, arruma minha roupa, pergunta se eu briguei com o namorado e me coloca no carro. É incrível como as pessoas não entendem.

Não foi namorado, não foi uma nota baixa, não foi a grana curta. Foi a vontade de continuar respirando que desapareceu. Foi-se, apenas. Foram dezoito anos tentando agradar a todos, de verdade. Foram dezoito anos de nenhum sucesso. De feitos desprezados. Sentimentos esnobados. Ideias ignoradas. Pelo mundo. E só.

Nada mais importava. Nada de bebidas, de cigarro, de remédios. Só queria que parasse. Foi fácil tomar cada comprimido e, lamento informar que não me arrependo. Cada comprimido era tomado junto com um pensamento ou sentimento que não foi tão facilmente engolido.

Foi uma madrugada terrível de sondas, dor e julgamentos. Não havia uma pessoa sequer em todo o hospital que não estivesse disposta a me dar sermão e me ensinar a viver. Não tenho raiva. Tenho pena. Sério mesmo que eles acham que entendem? "Se conseguiu passar os comprimidos, consegue passar a sonda, mocinha". "Não, não pode beber água. Pode repensar sua atitude..." e o meu favorito: "Você tem de tudo, por que fez isso?". Vamos falar de valores e ideais, então, moça? Pode ficar com cada centavo que eu mesma conquistei sozinha se você convencer minha mãe a parar de tratar isso como se fosse pouco. Nunca mais reclamo dos meus tendões inflamados se você convencer minha irmã a parar de mentir sobre mim. E realmente, entrego essa vida que vocês estão insistindo em manter ao trabalho voluntário se você me apresentar um ser humano digno de admiração pelo bom coração. Aliás, faço qualquer coisa para ignorar a minha vida. Foi exatamente o que eu estava tentando fazer.

Não, não vejo nada de poético no suicídio. Enxergo apenas o desespero. Não foi impulso, não foi a primeira vez. E vejo a força de fazer pelo menos a minha última vontade ser respeitada: QUE PARE.

domingo, 10 de julho de 2011

Irresponsabilidade Social

As pessoas sempre vão embora. Elas vem, mas não deveriam. Vem quando não deveriam. Se vão quando a gente mais precisa. Deixam aquele vazio. E vazio é ruim. Está vazio porque foi preenchido antes, um dia. E para que, então, tirar depois? Assim, sem nem dar satisfação.

As pessoas não conseguem mais se dedicar. Não querem mais. Não podem ficar mais tempo. Não se empenham. E reclamam. Porque como não dá para se comprar pessoas especiais em lojas, decidiram que não era importante.

Porque eu não quero receber scraps, inbox e sms em que dizem sentir minha falta, se não dá para arranjar um tempo para me ver. Não quero ser apresentada à amigos e a família, se na real eu for só mais uma. Não quero entrar no seu carro, se não puder entrar também na sua vida. Não quero responder você no msn, se a conversa for ficar pela metade. Não quero me divertir com você na balada, se eu não puder contar com a sua ajuda quando o pneu do meu carro furar. Não quero saber do seu passado se não quiser viver comigo o seu presente. Não quero que faça planos comigo se não puder me incluir no seu futuro.

Não, eu não vou perdoar você não ter nem ao menos me ligado para saber se eu estava bem após eu ter tido uma convulsão. Considero, sim, uma espécie de compromisso verificar se eu preciso de um abraço, chocolate ou tequila depois que meu namoro termina. Se você não sabe quais são meus problemas, é exatamente porque se ausentou e não tomou cuidado com o que era tua responsabilidade por ter cativado. Digo, só se você se importar.

Sabe, eu também detesto cobranças. Não vou lhe cobrar nada, muito menos, aquilo que você não pode me dar. Por isso já aviso para que nem perca seu tempo comigo. Porque se for encarar o desafio, eu vou pedir para que, se resolver estar comigo, que realmente esteja. De olhos fechados e celular desligado. E apenas se for verdade. Se for a sua vontade. Não apareça com meio termos, com ausência de opinião ou posicionamento. Não venha pela metade, com mais ou menos. Só quero se for inteiro. Completo. Desculpa, nunca me contentei com resto, migalhas, pedacinhos. Quero corpo, alma, traumas, vísceras, cicatrizes, tripas e falta de ar. Por favor, seja todo e completamente você. Para mim, quem sabe.


Por uma sociedade mais legal. E leal.
Dedicação total a você.
Porque eu gosto mesmo do que é intenso e sincero.






"Exagerada toda a vida, minhas paixões são ardentes. Minhas dores de cotovelo, de querer morrer. Louca do tipo desvairada. Briguenta de to de mal para sempre. Durmo treze horas seguidas. Meus amigos são meio-irmãos, meus amores são sempre eternos e meus dramas, mexicanos!"




(Obs: Tem dedinho de Brena Braz e de Caio F, mas a revolta é toda minha.)

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Saudade, um destino.

Acabou. Como eu previ no instante em que os nossos lábios se tocaram pela primeira vez. Mas foi pior do que eu achei que seria, quando desejei por isso. Eu não estive apaixonada. Não havia o menor sinal de borboletas ou qualquer outro bicho patético no meu estômago. Eu achava que estava no controle da situação. E é sempre assim que a gente se ferra, né?

Você não levava nada a sério, não se comunicava direito comigo (logo eu, que estudo comunicação social), não me respeitava. Você tinha um filho. Gostava de black. Não suportava cigarro. E são duas da manhã de um domingo e eu sinto a sua falta. Bastante.

É tão errado, não é? Bati o pé para não conhecer sua mãe, para não falarmos de compromisso, para você não conhecer meus amigos. E agora eu sinto vontade de chorar e queria um abraço seu. Queria sua mão me esquentando, reclamar da sua barba e sentir ciúme dos seus amigos.

Eu que não gostava direito de você, esperei ansiosamente, como criança em véspera de natal, que você me presenteasse com seu afeto, com sua paixão. Não pelas palavras, que vieram cedo demais. Queria que você viesse me dar remédio quando eu estivesse doente ou que você desistisse do jogo do time do seu coração para vir ficar comigo e minha carência de domingo. Assim como eu fiz por você.

Não foi justo. Logo eu, que sempre prezei pela lealdade. Foi sempre do seu jeito, sempre me anulando, sempre insistindo. Porque achava que valia. A certeza que não terminaria me magoando era motivadora.


Pois é, não aprendi. Todos os meus desastrosos relacionamentos não me ensinaram nada. Eu continuo insistindo nas pessoas e nos homens. Insistindo nesse tal de amor. Amor que eu já desprezei e afirmei que não existia diversas vezes.


Não adianta pedir para você voltar. Só vai aumentar a agonia e meu consumo de café com whisky e chocolate. Mas o que eu faço se dói de olhar para o meu celular que insiste em avisar que "não, Maiara, não há novas mensagens"? E a pizza que você está me devendo? E nossas visitas de madrugada ao Fran's Café? E se sua irmã me ligar de novo? E quando minha mãe me perguntar de você? E a minha culpa?


Sim, sei que a gente não ia mesmo dar certo. Sei que paramos até tarde demais. Não quero mais me estressar, sentir que você não está sendo honesto, engolir o choro e pedir para você me levar para casa. Não quero mais ficar com alguém que me deixa sozinha. Mas queria você. Assim, como quem não quer nada.








Sempre foi a saudade que acabou ficando comigo até o final.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Simples de coração.

Eu só queria ser simples de coração. Não pensar mil vezes nas mesmas coisas, não hesitar diante de uma oportunidade, não me importar com coisas pequenas, não decidir ser chato apenas para fazer valer minha opinião – quando meu espírito, mesmo beligerante, está mais para uma expressão pacífica da diplomacia.
Eu queria ser simples de coração, mas não sou. Sou impulsivo demais, desastrado demais, orgulhoso demais, retraído demais. Ofendido demais. Eu sou um reflexo daquilo que, durante muito tempo, eu não quis ser.

Aliás, parando para pensar com bastante justiça e discernimento, eu nunca pensei em quem eu era ou em quem eu queria ser. Apenas fui sendo formado, forçado, crescendo, errando, mentindo, omitindo, falseando, sonhando, contando. Apenas fui. E, hoje, sou.

Queria ser simples de coração porque os simples de coração não parecem se preocupar com as contas, apenas trabalham e as pagam, nem com a briga com a mulher que amam, apenas vão lá e dizem “ok, amor, podemos fazer de um jeito diferente, vamos pensar num juntos?”, apenas vão lá e escrevem, apenas vão lá e contam, apenas vão lá e vivem.

Os complicados de coração não têm a chance, sequer a chance de serem um dia simples de coração. É impossível para eles conseguirem imaginar que uma pessoa possa ser mais simples, não bater tanta cabeça por bobagem, não assumir coisas que não existem…

Os complicados de coração, ora, não o são por talento ou por vontade. São por que foram construídos assim. Ensinaram para eles que as coisas têm que ser do jeito deles, que meninas não andam sozinhas na rua depois das 22h, que azul é azul e acabou-se a história e passar a gostar de gatos quando a vida inteira os temeu e os odiou é um sacrifício imenso. Percebam que, mesmo eu sendo um assumido complicado de coração, não consigo encontrar exemplos que sustentem a lógica da coisa.

Cresci e crescemos com crenças absolutas e hoje quando lembro da minha mãe elogiando largamente minha inteligência e ressaltando a minha preguiça em aliar a esta um esforço por notas melhores, entendo de onde vem o meu ego inflado e minha preguiça. Ou o modo enrolado como eu resolvo algumas coisas. Ou a minha incapacidade de lidar com discussões sérias. Ou a minha ineficiência em ser organizado. Criei dentro de mim a necessidade de um pequeno caos constante que me alimenta e me aflige e assim produzo, penso, durmo, amo, vivo.

Quase sempre é muito difícil conviver com uma pessoa assim, complicada de coração. Mas pare e pense como é tão mais complicado sê-la. Como é tão mais complicado se odiar no segundo seguinte ao erro repetido. Como é tão mais complicado ser assim e [não] saber que pode ser de outro jeito.

Assim, e por já não ter muito mais o que falar, peço desculpas. Pelo tom de voz, pela empáfia, pela impaciência na espera, pela ironia, pelas coisas que disse e sustentei, pelas inseguranças bobas, pelas contradições, pela falta de tato, pelo sono absurdo, por parecer distante, por ser tão complicado. De coração, de mente, de peito. De tudo.





(Não é meu. O texto é do Jansen, do blog: http://aidoutorquedor.wordpress.com/. Mas meu coração complicado se sentiu no direito de se apossar. Não é fácil!)

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Guiness Book.

Oficialmente, tu bateu recordes. Primeiro, que ninguém nunca ganhou um texto meu antes de cinco dias corridos de intensidade. Segundo, nunca ninguém ganhou dois textos meus no período de tempo de uma semana e meia. Terceiro, que ninguém (e olha, isso é louvável... se não fosse trágicômico!) nunca, jamais, em hipótese alguma me fez sentir tantas coisas opostas, confusas, intensas e sem sentido em um período de trinta horas. Quarto, porque eu não estou apaixonada por você. Nem um pouco, nem começando (o que, honestamente, surpreende até a mim mesma)... mas definitivamente, obcecada e interessada.


Descobri que sempre usei o termo "pessoa singular" de forma equivocada. Porque ninguém merece mais essa definição do que você. E mesmo eu sendo bipolar (da forma comum-humana e da forma de doença), eu gostaria que esse misto ruim de sensações parasse. Veja bem, após comer algo pesado, tu pode até beber, mas não entrar numa montanha-russa. E definitivamente, rebuliços no estômago não são necessariamente um possível encantamento, considerando que a cerveja social do final de semana também é capaz de provocar isso.


A conclusão desse texto é que eu adoro crianças. Muito. Assim como adoro a humanidade. O que me irrita mesmo são os humanos.


Para complementar, já fazem dois meses.
E a gente ainda está sorrindo.
Mais um recorde!

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Cabeça. Braços. Coração.

Impressionante como não me vinha nada à cabeça.
Era uma manhã linda, as minhas músicas preferidas tocavam aleatóriamente em algum celular desconhecido, a cerveja estava gelada e o meu cheiro de infância, da grama prendida à terra molhada, predominava. E nós. Você estava lindo. As horas que eu (te) perdi para a academia realmente surtiram um efeito ainda melhor que o esperado. Você mexia em meu cabelo e se enciumava com meus comentários provocativos. E a gente ria. As nossas mãos estavam entrelaçadas e o futuro sorria para mim. Meio com ar de moleque brincalhão, mas sem perder a seriedade. Sorria para nós. E eu não estava ali. Não que eu não estivesse feliz. Não que eu não esteja feliz. Não que eu não goste de você.
Apenas não sou assim.
Eu estava pensando se o sono que eu não estava tirando naquele exato momento não me faria falta depois. Pensava em como aquela deliciosa cerveja detonaria minha dieta e aquele sol não seria julgado por mim tão incoveniente se eu estivesse com meus (vergonhos!) enormes óculos escuros.
Eu consegui, sabe? Me sinto orgulhosa. Por te ter e te manter por perto. Um cara legal, finalmente. Para ter na minha cabeça, nos meus braços e no meu coração.
O problema é que aprendi a ser assim. Minha cabeça voa pra longe, os braços procuram outros abraços e o coração se fecha.
Sou assim mesmo.
Impressionante como se passa muita coisa pela minha cabeça...

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Controle Remoto

Está tudo sob controle. Você me busca na faculdade, me traz chocolates, pergunta como foi meu dia. Frequento churrasco dos seus amigos, temos gostos parecidos, aceitamos o que não deveríamos aceitar um no outro.

Está tudo bem.

Bem demais.

Pode isso?

Desculpa, eu estava enganada. Sinto muito. Não quero estabilidade. Ainda almejo segurança, mas não abro mão de correr riscos.

Quero alguém que me irrite e me faça dar risada usando apenas uma frase. Riso gostoso, sem deboche. Quero alguém que leia meus pensamentos e não seja certinho. Quero continuar bebendo, continuar fumando, continuar dançando até o chão. E quero ser bem cuidada e deixada em casa depois de tudo isso.

Não, eu não quero usar uma aliança. Apenas queria não sentir vontade de beijar um outro carinha qualquer. Queria decorar um perfume, ter uma interna. Queria não receber olhares de reprovação. Queria não ter opção, por opção minha.

Eu preciso é de um parceiro de crime, que me beije na chuva e me tire pra dançar. Alguém que me adivinhe e saiba escrever sem erros de português. Que me impeça de entrar em brigas e tenha um abraço totalmente ajustado a mim.

Ideal mesmo seria um amigo. Um parceiro, um companheiro. Com benefícios. Um brother que jogue truco. Um ouvinte que me deixasse desabafar. Alguém legal. Com blusas de frio confortáveis e um beijo bom. Alguém pra mim.

Tô querendo. Tô esperando. Com você.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Enquanto eu achar que seu sorriso é meu.

E aí eu ouço um trecho de uma música da Kelly Key (me desculpe!) que dizia "Me ganhou com esse jeito de menino. Tão alegre, tão meigo e distraído..." e eu lembrei de você. E o quanto gosto de você.

Tudo bem, muitos dirão que eu não sei o que quero, mas ao pensar em você, digo, quando penso com vontade em você, não me resta nenhuma dúvida. É você mesmo. Você com essa pele morena, esse cabelo tão mais curto do que a minha preferência, seu time detestável e esse sorriso bobo: gosto. Aliás, você gosta da minha amada faculdade e de cerveja gelada. Arrisca assustadoramente dançar um pagode, manja, ouve e respeita o meu idolatrado rock'n'roll, se diverte com funk e tem toque sertanejo no celular. É inteligente e sabe contar piadas. Tem como eu não gostar?

Eu não sei como você dirige, mas você sabe perfeitamente como me conduzir. Quando. Quanto. Eu costumo chamar de sintonia. Você me adivinha. Sabe exatamente a hora de pegar na minha mão, assim como a hora de pegar na minha bunda. E nunca deixou de me fazer rir. E sorrir.

Você não me irrita. Você me provoca de um jeito que eu, definitivamente, simpatizo muito. Você, assim como eu, não se lembra do nosso primeiro beijo. Mas você me pegou no colo para eu não ser atropelada quando estava bêbada. Ñão me cumprimenta quando eu passo, mas sempre dá um jeito de esbarrar em mim para me dar o gostinho de ver um dos meus sorrisos preferidos bem de perto.

Pode confessar, você também não sabe porque a gente ainda não se resolveu. Sabe que não vai encontrar outra garota que seja tão boa para você como eu sou. Mas enquanto você me chamar de linda, me puxar pela cintura até ganhar um "oi" totalmente mal-humorado e olhar para o alto quando nossos olhares se cruzam... por mim está tudo bem.

sexta-feira, 18 de março de 2011

Não... sei!

Não adianta perguntar, porque eu não saberei responder. E não estou te enrolando, como tu adora me acusar. Acho que você nem é tão detalhista quanto se acha e se diz, porque provavelmente já teria reparado que eu falo a verdade. Eu jogo limpo. Mas me reservo ao direito de jogar sujo quando negociamos mordidas.

Tu pode insistir e me pressionar daquele jeito que me deixa emburrada, mexendo nas minhas chaves de casa, e você com a cara mais inocente do mundo pedindo desculpas, por enquanto. Pode fazer o que quiser, mas acredite: eu não sei.

Sei! Você já disse que não gosta de "não sei", que isso não existe, mas é a verdade. Eu não sei. Não sei o que penso de você, não sei o que sinto por você, não sei o que dizer para você, não sei como me portar perto de você... Não sei sequer porque comecei a escrever esse texto.

As coisas perto de ti são sempre improváveis e imprevisíveis. O que eu acho de pior e o que mais me assusta nisso tudo é que eu gosto. Veja só, logo eu. Logo eu que só gosto de certezas. Eu não sei entender tudo isso.

Claro que também há coisas que sei. Mas são coisas que eu não pretendo te contar. Não tão cedo. Coisas que eu ficaria brava caso me escapulissem, já que com você eu testo meu sangue-frio e meu controle a todo momento.

Sei que você sabe exatamente como me arrancar meu sorriso preferido, aquele que eu tento segurar, jogo o cabelo por cima do nariz e viro para esconder ele nas mãos. Sei que você reparou e adorei você ter me dito. Sei que eu adoro o modo que você dirige, mesmo ignorando meu pedido de colocar o cinto de segurança. Sei que você me perturba, me irrita, me dá vontade de pular do carro em movimento. Sei que você me tranquiliza e sempre arranja um modo de me fazer ficar e pedir.

Sei que faz tempo que não falava fechando os dentes. Sei que trocamos mais sms do que troquei minha vida inteira. Sei que sou exagerada. Sei que você é um chato. Sei que eu não colaboro e que minha sinceridade é ferina. Sei que você já me falou. Sei que não pretendo mudar. Sei que a gente ainda vai brigar feio. Sei que nossos horários são incompatíveis. Sei que você também quer tentar. Não sei se um dia vou te admitir tudo isso.

Eu sei, sabe? Sei que não há muitos garotos no mundo que dirigiriam até minha casa de madrugada porque está com saudade. Eu não sei se tu sentiu mesmo saudade, mas gostei. Ainda que seja mentira. Sei que você odeia gatos e se não sei, ao menos tento imaginar, o quanto é difícil me abraçar quando ainda tem pelos brancos na minha blusa de frio. Sei que você me provoca e eu entro no seu jogo, sabe dar as cartas, sabe me ganhar. Sei que você sabe.
Sei que não existe no mundo nenhuma outra pessoa que seja tão oposta a mim.

Não sei se você sabe, mas eu não vou facilitar para você. Não me entenda mal, você tem tudo para que eu pense em você para o resto da minha vida. Se fosse em outra época, outros tempos, outros carnavais. O verão acabou. E eu nunca comecei a gostar de ninguém em outra estação que não o verão. Não que eu pretenda gostar de você. Sei que você ficaria com o ego ainda mais insuportável.

Não sei se para você tudo isso é normal, mas eu vou te confessar, aqui, onde tu não vai ler, que estou assustada. Não sei se você reparou. Não sei no que isso vai dar. Sei que não vai tem grandes chances de dar certo.

Sei que é tarde. Sei que devo dormir. Sei que quero te ver no fim de semana. E em outros dias disponíveis.
Não sei se devo.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Desencontros Planejados

Ela não queria um novo começo. Só queria que o final tivesse acabado bem.




Ela sempre detestou mal-entendidos. Coisas mal acabadas. Se for pra ser, que seja! Mas que seja por completo. Nada de meio termo. Nunca. Ela era de extremos. Vivia a vida em corda bamba. Arame farpado e bambo. E gostava. Era o jeito dela, o que ela escolheu pra viver.


Aí ela conheceu aquele garoto. E ela nem sequer lembrava que o coração às vezes bate mais forte, por alguém especial. E aconteceu com ele. Quando ela estava com ele, quero dizer. Ela entrou no msn dele. Ele entrou na mente dela. Eles conversaram durante madrugadas, tiveram o primeiro beijo quando fogos de artifício brilhavam no céu e parecia que os desejos dela, feitos à meia noite, poderiam se realizar. Ele tinha um jeito de (des)arrumar o cabelo que a imobilizava e uma maneira de pegar na sua mão que faziam as borboletas no estômago dela irem parar na faringe. Possuía uma gramática que às vezes a incomodava, mas tinha um dom com as palavras que selou o contrato que ela assinou sem saber o valor que teria que pagar. Ele falava do céu e sua imensidão, das estrelas que ela sempre admirou e das músicas que ela sempre esperou que significassem tanto para alguém quanto significava para ela. Ele tinha piercing e tatuagens e mesmo assim era um cara que ela não ligaria de apresentar aos seus pais, aos avós e ao resto do mundo. Ele a fez perder tempo. E aí o tempo passou e levou com ele todos os sonhos que eram só dela.



Ela superou. Menina crescida. Vivida. Desiludida. Nunca acreditou muito em amor masculino, fidelidade e similares. Aquilo tinha sido apenas um teste que ela ficou de recuperação, mas no final acabou conseguindo passar de ano. Ela voltou a sua vida agitada de universitária, com toda tequila que tivesse direito. Ela sofreu muito pouco para uma pessoa tão dramática e intensa. Mas é realmente difícil tirar da cabeça algo que está no coração. Ela não queria ele. Não mais. Mas ela nunca mais aceitou flores de ninguém. Tudo bem, ela não tem mais ele. Não quer mais ele. Mas e os sonhos, os dias e os planos vivenciados com ele? Por ele? Ela pode muito bem arranjar um outro carinha para ter na mente, nos braços e no coração. Mais de um. Uma dúzia. Uma legião. Mas é que a simples menção de algum evento na cidade de Severínia ainda a incomoda. Ela parou de fazer as apostas de sorvete e não busca mais curiosidades ridículas na internet. Passou a odiar coelhos e abandonou de vez os discos do Anberlin, assim como as estrelinhas de papel. Ela comprou roupas ainda mais curtas só de pirraça e deixou de beber Brahma. Ela odeia o natal com ainda mais intensidade e não consegue mais se entusiasmar com o carnaval como antes.

Mas ela nunca quis mudar.
Ela só queria poder lembrar com carinho e sinceridade de tudo que ela viveu com ele. De tudo que eles viveram. Juntos. Só isso. Ela só queria arranjar coragem para voltar a escutar Fresno e Pull Down...

Não. Eu não queria.. Não quero um novo começo. Só queria que o final tivesse acabado bem.



(Ela refez o final do texto mais de cinco vezes. Pena que histórico de relacionamentos não possuem a incrível opção "delete". Ela já cansou de "ctrl+c" + "ctrl+v".)

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

I'm sorry, i can't be perfect

Eu e meus milhões de defeitos. Sou brava. Mas fico mansa ao andar de cavalo ou brincar com meu afilhado. Sou ingênua. Mas sei me defender e não demonstrar sentimentos. Azar o meu. Sou equilibrada, mas totalmente parcial e quase corruptível para defender meus amigos. Como Clarice, sou como vento. É apenas uma questão de quando e como você me observa passar. Dependo da qualidade da sintonia, como se fosse uma televisão. Mas não me acompanhe, porque embora a vida por aqui seja mais intensa que Big Brother ou novela das oito, é tudo real. Sou real. Sou de carne e osso. Algumas celulites e um sorriso bonito. Eu e minhas tantas qualidades.



Como aspirante à relações públicas, sou do time dos detalhistas. É no detalhe que eu reparo. É no pingente do colar, não na roupa. No convocativo, não na oração. É no brilho, não apenas no olhar!








Hey dad look at me
Think back and talk to me
Did I grow up according to the plan?
And do you think I'm wasting my time doing things I wanna do?
But it hurts when you disapprove all along
And now I try hard to make it
I just wanna make you proud
I'm never gonna be good enough for you
I can't pretend that
I'm alright
And you can't change me

'Cause we lost it all
Nothing lasts forever
I'm sorry
I can't be perfect
Now it's just too late
And we can't go back
I'm sorry
I can't be perfect

I try not to think
About the pain I feel inside
Did you know you used to be my hero?
All the days you spent with me
Now seem so far away
And it feels like you don't care anymore

And now I try hard to make it
I just wanna make you proud
I'm never gonna be good enough for you
I can't stand another fight
And nothing is alright

'Cause we lost it all
Nothing lasts forever
I'm sorry
I can't be perfect
Now it's just too late
And we can't go back
I'm sorry
I can't be perfect

Nothing's gonna change the things that you said
Nothing's gonna make this right again
Please don't turn your back
I can't believe it's hard
Just to talk to you
But you don't understand

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Outsider.


Ela estava de ressaca. Sempre ela. Cazuza se achava exagerado porque não a conheceu. Com ela tudo tinha que ser ao extremo. Intenso. Sorria demais, chorava demais, sentia demais. Queria demais da vida. Bebia demais, falava demais. Um desses excessos lhe trouxe a atual ressaca. Martini? Sky? Não sabia. Não sabia demais. Mas não negava. Era muito autêntica, muito sincera, muito honesta. Não representava. Sabia, mas não gostava. Nem fazia. Tinha defeitos, é claro. Milhares. Mas nunca tentou negar ou se desculpar. Mas o mundo não aguenta verdades. O mundo não estava preparado para alguém como ela. Ela e toda sua bagagem emocional cheia de verdades, saudades, contradições. O mundo não a queria nem a merecia.


O gato não sabia dos padrões do mundo. Sabia do seu mundo de gato. Com rações, mimos e broncas. Ficava preso no quarto da dona a maior parte do tempo pois outra ocupante da casa tinha alergia. Quando ganhava autorização para passear pela casa, a desmontava. Derrubava porta-retratos e destruía eletrodomésticos. Não permitia que a dona se concentrasse nos estudos, na conversa do msn ou o que quer que fosse. Ele queria brincar. Mas ele é um gato. Ele mordia, arranhava e miava alto. Não entendia brincadeiras, não entendia as broncas que levava. Estava apenas seguindo seu instinto. Instinto de gato. Arteiro, mas leal. Mimado, mas obstinado. Gostava mesmo de correr e pular pelo mundo, namorando e ultrapassando limites. Sendo fiel a ele mesmo. E a quem lhe fazia bem.


Ela estava tendo entender o que sentia, o que se passava. Queria descobrir como a vida dela tinha se enrolado, desenrolado e acabado daquela forma. Torcia para que não tivesse chegado ao fim, ainda que lhe parecesse mais confortável, mais plausível. Queria traduzir para o mundo em que ela nunca se encaixou o que era o desconforto que sentia naquele momento. Enquanto buscava palavras para escrever, descrever e desabafar, o gato pulou no notebook. Escreveu letras aleatórias com a pata, fechou uma janela no msn e a mordeu no dedão do pé.


Ela estava cansada demais. Desmotivada. Estressada. Pegou o bichano pela barriga, meio de qualquer jeito e gritou.

- Por que você é assim, hein? Porque não consegue se ajustar? Pare com isso.


Caiu no choro.

Pegou o gatinho novamente, tentou lhe fazer um afago enquanto ele a arranhava.


- Não para, não. Seja fiel a sua natureza e ao que você acredita. Eu gosto de você, tenho que me adaptar.


E entendeu menos o mundo.