Dói um pouco mais aos sábados. Talvez seja abstinência de vodka e risadas. Ou talvez seja só excesso de drama da minha parte. Nenhuma hipótese é descartada.
Adoecer é ruim. Mas representar o papel de vítima é pior. Todas as pessoas, em qualquer lugar do mundo, à todo momento, sofrem por alguma coisa. Qualquer coisa.
Não consigo me achar especial só porque meus órgãos são tão preguiçosos quanto eu. Nem dispenso as piadas. Humor é essencial para qualquer crise.
Mas dói mesmo. Dói não poder me divertir como eu me divertia. Sinto falta de virar a noite em boa companhia, de comer fritura com ketchup, de Stella Artois, do meu time. Mas nada é tão doloroso quanto apagar a luz e saber que ninguém compartilha daquela escuridão contigo. Em casa ou no hospital.
Veja bem, não se trata de cobrança. Meu namorado mora há uma mora de distância e minha mãe merece uma noite de sono decente. É desafiador dormir com máquinas tão barulhentas ajudando a não aumentar estatísticas.
Ainda assim, é sempre bom ter aquela segurança de que existe quem também teve que abrir mão de algo que gostava por um tempo para, quem sabe, estar pronto para algo melhor no futuro - o que é otimismo demais pra mim.
Não que eu seja pessimista, longe disso. Tem mais a ver com alguém estar ao seu lado de forma incondicional, entendendo que o seu problema, é o maior do mundo. Afinal, qual é o meu mundo se não eu mesma? E nem vem, é assim com todo mundo.
É fácil perguntar se alguém está bem, desejar melhoras e até mesmo ficar preocupado. Difícil parece ser acompanhar essa pessoa no tratamento, entender que ela não tem dinheiro porque gastou em remédio, abrir mão de burguer king para comer batata com cenoura refogada e ainda achar ótimo.
Uma doença não é o fim do mundo. Mas é o mundo. De qualquer pessoa, para qualquer pessoa.
Espero que você nunca me entenda.
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